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Estava começando tudo de novo, o coração acelerado, a falta de ar, a sensação de pânico. Eu vinha tendo essas crises já tinham semanas, e a sensação era sempre horrível. Eu sentia que ia morrer. Já tinha até parado em hospital e sempre me falavam a mesma coisa: é só uma coisa da sua cabeça, é emocional.

Eu queria aceitar isso, mas me parecia uma explicação tão banal pra uma sensação tão forte quanto a que eu sentia. Mas e a solução? O que eu poderia fazer agora? Tudo tinha piorado ainda mais depois que me mudei para os Estados Unidos. Me falavam que era saudades de casa, dos amigos, que eu iria me adaptar e tudo ia ficar certo.

O que me incomodava em tudo isso era que o que eu sentia tinha sido colocado como um incômodo, do tipo, “ah, de novo? Isso não é nada!”.

Então, foi maravilhoso quando o Vini, meu melhor amigo, avisou que iria me visitar. Meus pais também ficaram aliviados com a vinda dele. Ele contou que estava fazendo uma viagem pelos Estados Unidos e que iria para Los Angeles e para a Flórida. Ele queria conhecer a Disney.

Não sei direito como tudo aconteceu, só sei que uma hora eu estava em casa, em Detroit e, na outra, dentro de um ônibus a caminho de Los Angeles. Vini brincava comigo que eu poderia encontrar o cara por quem eu babava todos esses anos. Bill Kaulitz. Ele falava que eu iria pagar maior mico quando o encontrasse sem saber o que falar. Ele me imitava gaga. E eu completava que ele ainda iria cair no meio da baba dele quando visse a Megan Fox. A gente ria muito.

Foi até rápido encontrarmos um albergue para ficarmos e já era de noitinha quando saímos para jantar. Quando Vini foi para o quarto dele dormir, eu fiquei sozinha e comecei a me sentir mal. O pânico tava aparecendo. Eu tentei me acalmar, eu chorava sozinha e aquilo parecia ser a única forma que eu tinha aprendido a controlar aquilo tudo, mas era horrível. Eu chorava até cansar e finalmente dormir.

No dia seguinte, passei maquiagem para esconder minhas olheiras do choro da noite anterior e fomos passear pelas ruas de L.A.

Agora era a hora que eu poderia falar, dei de cara com ele, Bill! Mas não foi isso que aconteceu. Não vimos nenhum famoso e até me perguntei o que é que acontecia naquela cidade. Onde estavam os paparazzi?

Que decepção! A gente ria tanto do que a gente imaginava ser L.A. até que passamos por um açougue quando ouvi um cara gritando alto em inglês:

- Saí daqui, diabo! Se entrar aqui de novo, eu te boto pra fora com a vassoura!

Foi então, que o cachorro mais fofo de olhos mais tristes que eu já vi saiu de lá. Ele ainda ganiu triste, deveria estar morto de fome e aquele monstro tratando ele assim. Eu o chamei assobiando e ele se aproximou de mim, mais ele parecia com medo. Ele deveria ter sofrido muito nesses dias.

Eu passei a mão pela cabeça dele e ele abandonou o rabo para mim se aproximando e colocando a cabeça por entre as minhas pernas. Ele quase me derrubou para fazer isso, mas eu percebi que era a forma dele de fazer carinho. Ele era muito dócil.

Imediatamente me apaixonei por ele e fiz questão de entrar no açougue e pedir um bom pedaço de carne. Ah, e levei o cachorro junto. O cara foi com tudo para cima dele e ele chegou a se encolher, mas eu entrei na frente e disse que aquele era o meu cachorro e que se ele fizesse qualquer coisa contra ele, eu ia acabar com a vida dele. O cara teve que engolir a raiva e me vendeu a carne que o cachorro mais olhava.

Eu andava feliz ao lado dele e Vini ficou andando do nosso lado.

- O que você pretende fazer agora?

- Com relação a que? Ao cachorro?

- É, não dá pra levar ele pro albergue, você sabe. Não entram animais lá.

- Eu sei, não se preocupe. Ele não é lindo? – ele olhava para mim como se entendesse o que eu dizia. Como se soubesse que eu estava falando dele.

Ele revirou os olhos

- É meio feinho, mas tem cara de ser um cachorro legal – ele olhou feio para o Vini e eu ri. O cachorro era mesmo esperto.

- A gente tem que dar um nome pra ele.

- Hum… que tal Rex?

- Fala sério, que nome batido!

- Tá, então fala você.

- Ok. Que tal… Bethoveen?

- Ah, agora eu que digo, fala sério, Carol!

- Bem, vamos sentar ali porque estou bem cansada e aí a gente decide melhor.

Passamos horas escolhendo um nome pra ele. Depois de sentarmos um pouco, ainda andamos um tempo, mas o pior de tudo é que quando decidimos alguns nomes, ele não respondia a nenhum! E olha que não foi por falta de tentativa.

- Gael, nada de fazer cocô na rua!

O cachorro ignorou o Vini solenemente e fez bem o que ele não queria que ele fizesse. Eu tive que rir nessa hora, mas quem teve que limpar a “obra” foi eu então, então o sorriso morreu rápido.

- Pow, Vini, Gael foi sacanagem!

- Bem, temos que testar, né? Uma hora, ele tem que responder. A gente já testou todos os óbvios e nada, não tenho mais idéias.

- É, tá difícil mesmo. Ele também não colabora, né? – olhei pra ele e ele me olhou de volta. Ele chegou a fazer um barulhinho com a boca como se resmungasse e falasse: a culpa é sua que não sabe meu nome!

- Bem, já está na hora de voltarmos pro albergue, eu preciso tomar um banho e meus pés estão doendo horrores!

- Sei como se sente – ele fez uma cara de dor que era comovente – e como vamos fazer com ele?

- Eu tomo banho primeiro enquanto você fica com ele aí a gente troca e eu dou um jeito.

- Espera, porque você primeiro?

- Nunca ouviu falar em primeiro as damas?

Ele me olhou de cara feia e eu ri mais uma vez. Essa era uma característica que eu adorava nele e que me fazia tanta falta, rir com ele era muito natural.

Fizemos como eu falei, e fiquei sozinha com o Cachorro (por enquanto, eu chamava ele assim mesmo). Já tínhamos dado comida pra ele e agora, o Vini ia tomar banho e cair na cama. Enquanto isso, eu estava lá do lado de fora sem fazer idéia do que eu ia fazer com ele agora.

Me sentei na calçada do lado do Cachorro e ele também se sentou. Eu olhei pra lua. Estava cheia, linda, eu suspirei pensando na minha vida agora e o que eu ia fazer. O Vini ia ficar só mais uma semana ali e eu ia ter que voltar pra casa… e para aquela vida de novo. Eu não conhecia ninguém, todo mundo era de uma cultura tão diferente da minha que era assustador tinha horas.

Nem percebi que estava falando tudo em voz alta com o Cachorro e ele do meu lado só me ouvindo. Até que uma hora, eu comecei a chorar e ele deitou a cabeça no meu colo. Aquele tinha sido a melhor forma que alguém já tinha me consolado. Ele só me escutou e me apoiou quando chorei. Sem falar o clássico: isso é normal, você se adapta, é só coisa da sua cabeça.

Eu vi que o Cachorro já era meu. Foda-se o dono dele, ele ia era comigo para casa.

Fiz carinho na cabeça dele e sorri.

- Bem, já que eu não encontrei o Bill, pelo menos encontrei você.

Foi então que ele levantou a cabeça do meu colo rápido, me olhou nos olhos e latiu. Ele deu uma volta em torno dele próprio, abanando o rabo tão animado e que eu sabia: eu tinha adivinhado o nome dele. Ele era o meu Bill.

Aquela noite, depois de meia noite, eu consegui entrar devagarzinho no meu quarto levando o Bill comigo, ele ficou quietinho do jeito que eu mandei e coloquei uma coberta do meu lado da cama e dormi ao lado dele.

Antes de pegar no sono eu percebi que aquela noite, eu não tinha tido nenhuma palpitação. Ele era mesmo um cachorro especial, o meu Bill.

 

No dia seguinte, o Vini levou um susto quando descobriu o que eu tinha feito. Ele me chamou de louca durante mais de meia hora enquanto me ajudava a tirar o Bill do albergue sem ninguém ver e irmos pra rua.

Eu me divertia ainda mais do que quando estava no Brasil. Finalmente, morar ali tinha me feito bem. O Bill tinha me trazido alegria, a alegria que eu tinha perdido.

A gente passou a manhã juntos. Eu, o Vini e o Bill passeamos, comemos, até tomamos sorvete e brincamos. O Vini estava se sentindo mal depois de ter tomado tanto sorvete e preferiu voltar pro albergue para descansar. Ele me convenceu a continuar o passeio já que eu não ia largar o Bill no meio da rua e nem levar ele pra dentro.

Nós dois fomos conhecendo as casas dos artistas famosos pelo lado de fora conforme passávamos pelos portões das casas. Eu tinha um mapa e ia mostrando pro Bill o que a gente tava vendo.

As pessoas até olhavam pra gente e deveria achar engraçado já que eu falava com ele o tempo todo e ele parecia me entender tanto. Eu já estava me acostumando a ter ele por companhia e aquela noite repetimos o nosso novo ritual de esconderijo. O Bill era tão esperto que entrava de cabeça baixa, bem de mansinho, sem fazer nenhum barulho. Ele sabia o que a gente tava fazendo, que era uma coisa errada e que se fossemos pegos iriamos nos ferrar bonito.

Fomos pro meu quarto e eu coloquei ele na mantinha dele, falei que ia deixá-lo sozinho por um tempinho só até tomar banho e voltar. Ele ficou quietinho na cama e foi um alivio quando voltei pro quarto e tudo estava igual. Ele já estava até dormindo, mas levantou a cabeça quando me viu e sacudiu o rabo. Eu fiz um sinal para ele ficar em silêncio e ele se sentou.

Dei pra ele um pedaço de pão que roubei na cozinha no caminho pro quarto e me deitei na cama. Não dormi imediatamente, pelo contrário, falei com o Bill por horas e ele se levantou para ficar do meu lado o tempo todo. Ele fazia questão de mostrar pra mim que ele estava lá, que estava me ouvindo. Ele era o meu melhor amigo.

Já era sexta feira e no dia seguinte, íamos viajar pra Disney. Eu convenci o Vini a alugarmos um carro assim podia levar o Bill com a gente. Iria ser só durante o fim de semana. Sexta, sábado e domingo e então, voltaríamos pra casa. Eu usei os argumentos mais doidos, dos mais lógicos aos mais insanos e só convenci ele porque ele desistiu de continuar ouvindo todos os outros que já tinha preparado. Estávamos indo para a concessionária alugar o carro quando ouvi pneus freando com tudo, uma porta se abrindo e alguém gritando alto:

- Scotty!

Meu cachorro saiu correndo alegre e pulou no cara que queria roubar ele de mim. Eu o chamei de volta.

- Bill, vem cá!

Ele pareceu indeciso para onde ir e foi então que o cara levantou a cabeça e tirou os óculos olhando para mim. Eu quase desmaiei e gaguejei exatamente como o Vini falou que eu ia fazer. Eu estava de frente pro Bill Kaulitz.

- O que… é o … é o … Bill! – eu falei apontando pra ele como se visse um fantasma. Ele abriu a porta do carro e o meu Bill (que agora eu sabia que se chamava Scotty), aquele  traidor, entrou no carro. Ele já ia entrar no carro e ir embora quando me joguei na frente da porta do carro.

- O que pensa que tá fazendo? Você tá roubando o meu cachorro! – era irracional, mas quem mandou ele ser um dono tão negligente? O Bill, meu cachorro, merecia um dono melhor. Não era porque ele tinha dinheiro que o meu Bill tinha atenção e carinho, então, ele podia ir desistindo. Achado não era roubado, e eu achei ele primeiro!

Vini me segurou pelo braço e falou baixo tentando enfiar algum juízo na minha cabeça. Inultimente, é claro.

- Carol, o que você pensa que tá fazendo? O cara é o dono do cachorro.

- Não é mais, agora o Bill é meu.

- Do que você tá falando? Eu nem te conheço.

- Não to falando de você, to falando dele! – apontei pro meu cachorro que me olhava através da janela – ele é o Bill que eu to falando.

- Você chama o meu cachorro de Bill? – ele me olhou assustado. Eu consegui deixar Bill Kaultiz assustado, era um milagre. Eu era genial!

- É… bem… é, eu chamo ele assim mesmo, agora, dá licença que ele vem comigo.

- Você tá maluca? Ele é meu cachorro! Ele é parte da família

- Você costuma perder a sua família por aí?

- Olha, o que você quer? Eu pago pelo trabalho que o Scotty deu.

- Não quero o seu dinheiro.

- Então o que quer?

- Quero ele, só isso.

- Isso você não pode ter.

O Vini tentava me afastar dele, mas eu tava furiosa demais para prestar atenção nele. Tudo que eu sabia era que aquele cachorro tinha me feito bem, eu estava feliz com ele, não tinha tido nenhuma crise desde que ele veio pra junto de mim e eu o amava.

E ele provou que era recíproco ao descer do carro pelo vidro e se enfiado entre nós dois.

Bill, o cantor, tentou puxá-lo pela coleira de volta para o carro, mas ele empacou no lugar. Sorri pra ele me sentindo vitoriosa. Ele que engolisse, o Bill era meu agora. Fui provar meu ponto fazendo o mesmo, fui puxá-lo para meu lado da calçada, mas ele também não foi. O que era que tava acontecendo ali, afinal?

- Eu acho que ele quer os dois – eu e Bill olhamos pro Vini que apontava pro Bill, cachorro. Olhamos pra ele e ele olhava de mim para ele. Nós estávamos deixando o bichinho confuso.

Bill, o cantor, suspirou, apertando os olhos como se tentasse ter paciência.

- Ok, vamos resolver isso, mas estamos no meio da rua. Entrem no meu carro, vamos para algum lugar pra conversarmos melhor, está bem?

Eu aceitei, eu iria brigar pelo meu cachorro com unhas e dentes.

Ele levou a gente pra casa dele, percebi isso rápido, ainda mais porque quando entramos demos de cara com o Tom

- Scotty! Seu danadinho! Onde se meteu?

Bill olhou pra mim, ele estava desconfortável.

- Ela encontrou ele.

- Nossa, valeu. Eu sou o Tom – ele falou estendendo a mão pra mim – valeu mesmo por ter trazido o Scotty de volta pra casa.

- Não, eu não trouxe o “Bill” pra cá. Ele é meu agora.

Tom olhou rindo pro Bill.

- Do que ela tá falando?

- Ela quer ficar com o Scotty. Tá doida! Eu até iria pegar ele e ir embora, mas não deu. O Scotty gostou dela.

- Tá, e então? O que vai ser? Ela quer quanto?

- Eu não quero nada, só meu cachorro.

- Eu já falei que ela é maluca?

- Não acho uma boa idéia irritar o Bill, ele anda estressado, só pede quanto quer e procura outro cachorro para você.

O Vinícius tentava me levar de volta pra razão, me puxando e perguntando que merda era aquela que eu tava fazendo. Eu olhava pra ele já quase chorando.

- Ele é importante pra mim.

- Carol, eles são os donos.

Eu olhei pro Bill já quase implorando

- Olha, tudo bem – eu respirei fundo tentando controlar as lágrimas que estavam prestes a correr pelo meu rosto. Eu sabia que sem o Bill, eu iria entrar em crise e eu estava morrendo de medo de isso acontecer – só deixa ele ficar comigo esse fim de semana e eu devolvo ele.

- Você só pode tá louca! Você quer roubar meu cachorro! Acho melhor que vá embora, isso já passou dos limites.

- Espera, por favor, eu preciso dele – comecei a chorar, coisa que sempre evito fazer na frente das pessoas, mas que naquele ponto era totalmente racional. O meu Bill pareceu entender meu drama, se aproximou de mim e fez barulhinhos como se estivesse chorando junto comigo.

Bill e Tom se olharam, e ele se aproximou de mim, dessa vez, mais calmo.

- Por que precisa dele tanto assim? O que um fim de semana vai fazer de diferente pra você?

- É que eu… eu to saindo da cidade, o Vinícius e eu vamos pra Disney segunda, eu queria ficar com ele só mais um pouquinho.

- Não to vendo muita saída… Só se… bem, vocês podem ficar aqui.

- Sério? – era para eu ficar super feliz de ficar na mesma casa que o Bill, e eu estava, mas ainda mais feliz de saber que eu ia ficar perto do meu cachorrinho. Uma onda de alívio bateu em mim e eu sorri.

- Carol, a gente vai viajar amanhã.

- Eu quero ficar com ele, Vini… E se você fosse pra Disney e na volta, me pegava e nós iríamos para casa?

Ele resmungou que eu tava mesmo maluca.

- Isso é tão importante assim, Carol?

- É, Vini, muito, por favor.

- Tá bom… então, eu vou sozinho e segunda de manhã eu te pego e a gente vai pra casa, ok? – ele me olhava nos olhos para se assegurar que eu estava entendendo o que ele estava dizendo – e sem ele. – falou apontando pro meu Bill.

- Tudo bem – eu funguei. – vou aproveitar pra me despedir dele então.

- Ok – ele deu um beijinho na minha testa - vou pegar nossas coisas e deixo as suas aqui antes de ir.

Depois que Vini saiu, Tom levou Billy pra tomar água e comer, e Bill me mostrou o quarto que eu ficaria hospedada. Ali tinha vários quartos…

- Tá, você fica aqui, mas eu vou avisando, tenho seguranças e você não sai daqui sem eu revistar tudo, sua máquina e seu celular também. Se eu souber que ficou fofocando das coisas aqui dentro, eu te ferro – eu olhei pra ele meio assustada já que imaginava um Bill todo calminho e fofo e ele parecia era bem determinado a se proteger de mim.

- Tudo bem.

- Tem uma coisa que eu quero saber.

- O que é?

- Onde você encontrou o Scotty?

Eu contei sobre o açougue, e como cuidei dele durante aqueles poucos dias.

- Obrigado. Ele significa muito para mim.

- Ele é especial.

- Sim, ele é, mas preciso saber… por que você chorou?

Desviei meu rosto, não queria contar das minhas crises, faria o possível para ninguém ficar sabendo daquilo.

- Ele é especial, me apaixonei por ele e não queria que ele saísse tão de repente da minha vida.

Ele me olhava prestando muita atenção em mim, ele não deve ter acreditado em uma única palavra. Dava para ver que ele era muito cauteloso e tava com a guarda alta perto de mim.

- Bem, acho melhor levar o Scotty no veterinário, você falou do açougueiro, preciso saber se ele não machucou ele ou se precisa de algum outro cuidado, quer ir comigo?

Eu sorri feliz

- Quero!

- Ok, vou pegar ele com o Tom.

Nós fomos até o veterinário. O passeio mais improvável dos meus sonhos, e era tudo tão maravilhoso! Não vi nenhum fotógrafo e fiquei feliz por conta daquilo. Bill perguntou muito de mim, deveria ser parte do momento desconfiança dele.

Eu contei do Brasil, da mudança, do Vini, mas nada tão profundo, só contei os fatos por cima e que tava meio deslocada ali.

Saímos do veterinário felizes por Billy estar bem, e o bichinho indignado por ter levado uma bela de uma injeção por precaução. O resto do dia foi maravilhoso. Quando chegamos em casa, Vini já tinha deixado minhas coisas lá e um recado pedindo para que eu telefonasse se houvesse qualquer coisa. Eu e Bill brincamos com… o Scotty (era difícil chamar ele assim, mas eu tinha que me adaptar) e tomamos sorvete. Conversamos muito, basicamente sobre mim, ele queria saber tudo da minha vida e também sobre o que eu pensava de vários assuntos.

Tom se aproximou de nós dois, já eram umas cinco da tarde.

- Hum… Bill, temos um problema.

- O que foi?

- Temos a premiação hoje, lembra? Já tá tudo certo para irmos, como vamos fazer… com ela?

Os dois me olharam. Lá vinha o olhar de desconfiança de novo.

- Eu fico aqui com o Scotty, não se preocupe, não vou fazer nada, pode ficar com meu celular e você vai revistar tudo mesmo, lembra?

Ele me olhou desconfiado.

- Tudo bem, um segurança também estará aqui então…

- Eu sei, eu sei, não se preocupe.

- Ok.

Eles se arrumaram e saíram, já estava escurecendo. Fui até a cozinha e coloquei um pouco de comida decente pro Scotty, não aquela coisa enlatada deles, e comi também.

Não tinha nada pra fazer, eu não sentia vontade nenhuma de ver televisão e nem queria mexer em nada dos meninos e depois ser acusada de fazer algo que eu não fiz então, fui até o patiozinho que tinha do lado de fora e me sentei com Scotty do meu lado e olhamos pra lua juntos.

- Não quero pensar como vai ser quando nos separarmos. Você é mesmo especial, Scotty. E tem um bom dono, viu? É bom cuidar dele e nem pense em fugir de novo, vai que você não encontre alguém como eu? Imagina? Quer ter outro encontro com aquele açougueiro louco?

Ele me olhou como se pedisse desculpas por ser tão descuidado.

Me perguntei como seria depois, depois que eu estivesse de volta em casa, que o Vini tivesse ido embora, o Scotty estivesse ali há quilômetros de distancia de mim, de como seria uma nova escola, novas pessoas… e comecei a sentir meu coração acelerando, minha respiração faltando, a sensação de que iria morrer, comecei a chorar. Dessa vez, nem Scotty poderia me ajudar, ele chorava junto comigo.

Tava tão difícil respirar que comecei a achar que iria desmaiar, mas senti que me viravam e me abraçavam, e percebi pelo cheiro, que era o Bill que estava ali, junto comigo.

Eu chorei e fui me acalmando aos poucos, ele não falou nada só ficou lá comigo. Quando me acalmei o suficiente, ele se afastou de mim.

- O que houve? Você está bem?

- Agora estou… – eu estava envergonhada, o que ele pensaria de mim agora? – o que tá fazendo aqui?

- Voltei mais cedo.

- Ah… certo, tava achando que eu poderia estar fazendo alguma coisa errada por aqui.

Ele se apressou em negar.

- Não, não, não é nada disso. Não fiquei desconfiado, mas fiquei incomodado de te deixar sozinha aqui. Você não sabe nem onde ficam as coisas em casa, e eu te tirei o celular, e se você precisasse dele?

- Bem, obrigada então.

- Ok… agora, me conta o verdadeiro motivo por ter chorado na hora que você se separaria do Scotty e por que eu cheguei aqui e você parecia a ponto de desmaiar.

Eu evitei olhar pra ele, mas contei das minhas crises, das vezes que o Scotty ficou do meu lado e eu fiquei bem, contei tudo e ele só me ouviu.

- Mas, eu já fui em médicos e tudo, não é nada demais, só coisa da minha cabeça.

- Não, não é.

- O que?

- Se você está tendo essas crises, deve ter um motivo. Isso não pode ser “nada demais”. Talvez seja por medo da mudança, medo do futuro e do que você não conhece, mas não é só uma coisa da sua cabeça, é uma coisa que você está sentindo de verdade. Olha – ele se ajeitou do meu lado para poder me olhar melhor – quando eu saí da Alemanha pra vir morar aqui, eu fiquei bem mal. Eu sentia falta de casa e mesmo com o Tom do meu lado, me senti perdido aqui. Comecei a querer voltar, e por causa de tudo que eu estava sentindo, eu comecei a ficar doente de verdade. Então, temos que descobrir a verdadeira razão e como superá-la. Não quero que fique doente, Carol, você cuidou do Scotty, eu tenho uma dívida contigo.

- Não precisa, você não me deve nada. Mas, obrigada. Mesmo.

- Tudo bem, está mais calma?

- Sim, só estou cansada, muito pra falar a verdade.

- Então, vamos dormir, amanhã a gente conversa mais, ok?

- Certo.

Fui pra cama e dormi quase imediatamente. No dia seguinte, Bill me esperava pra tomar café da manhã, conversamos como amigos, já agíamos assim. Naquele dia, Bill teve um problema em casa. Ria, a namorada do Tom, tinha feito um escândalo e até ameaçado agredir o Scotty por conta de uma discussão boba. Eu entrei na frente e quase espanquei aqueles olhos de peixe dela.

Tom a tirou de casa a força e a mandou embora, dessa vez, pra valer. Bill me olhou preocupado, perguntou se eu tinha me machucado, e eu falei que estava tudo bem. Não perguntei o motivo do escândalo, nem queria saber, não queria que ela abrisse a boca e ele pensasse que tivesse sido eu. Eu estava evitando tudo que pudesse fazer com que o Bill achasse que eu era uma sacana abusando da confiança dele.

No sábado, passamos mais um dia juntos. Dessa vez, fomos pra piscina, conversamos até tarde, e ainda ardendo pelo sol, a noite, sentamos juntos no pátio.

- O Vini me ligou hoje.

- É?

- É, ele vem amanhã e vem me buscar pra irmos pra casa.

- Mas, não era segunda?

- É, mas… eu também não quero atrapalhar. Olha, eu sou fã do Tokio Hotel e sempre sonhei em te conhecer, mas não quero ficar aqui atrapalhando, não quero mudar a rotina de vocês e agora que já estou melhor então, posso ir pra casa.

- Fica.

- O que?

- Fica mais. Não quero que vá embora agora. Você não está atrapalhando e nem alterando minha rotina. Pra falar a verdade, fazia tempo que eu não me divertia tanto que não fosse com o Tom, e de noite, depois que você vai dormir, eu fico super inspirado e escrevo bastante então, você só me faz bem. Fica, por favor. O seu amigo pode aproveitar mais a Disney, aposto que mal viu os parques, levei dias lá.

- Ok… vou falar com ele.

Liguei pro Vinícius e ele falou que eu parecia muito melhor no telefone, eu disse que estava mesmo e queria ficar mais, que o Bill me convidou, ele falou que tudo bem, mas que era pra ligar pra ele a qualquer momento.

Passamos quase uma semana juntos. Se eu imaginava o Bill perfeito, agora, eu tinha que admitir… eu estava apaixonada. Era pedir pra sofrer mesmo… se apaixonar pelo cara mais perfeito e inatingível. Eu era só uma garota comum que deu a sorte de dar de cara com Bill. Ele poderia até me achar divertida, mas teria pessoas muito mais interessantes ao redor dele e logo ele iria me esquecer.

Eu já tinha arrumado minhas coisas e estava só esperando o dia seguinte em que o Vini iria me buscar. Me sentei na sala de TV e Bill sentou do meu lado logo em seguida.

- Então, é amanhã, né?

- É… amanhã eu to indo.

- Eu queria que ficasse mais.

Eu sorri.

- Eu não posso, tenho que voltar pra casa, a escola vai começar, tudo vai voltar ao normal.. – não queria acrescentar, você vai esquecer de mim.

- Você… você vai se lembrar de mim nessa sua rotina doida?

Eu ri alto.

- Quem deveria fazer essa pergunta seria eu. Lógico que não vou esquecer, eu nunca vou esquecer.

- Nem eu. – ele ficou olhando fixamente para mim, e eu, mesmo com vergonha, acabei olhando pra ele também. Então ele se aproximou de mim e me beijou.

Foi um beijo especial, doce, delicado. Ele me beijou e se afastou dizendo que precisava ir. Eu não sabia o que pensar, e no dia seguinte, eu fui embora e não o vi em lugar nenhum para me despedir.

Dois dias depois, já era sábado de novo, e eu lembrei dos momentos que eu tive com Bill já com saudades. Meu celular tocou, e eu quase desmaiei quando vi o identificador de chamada.

- Bill?

- Oi, Carol. Tudo bem? – ele agia normalmente como se não tivesse acontecido nada entre a gente.

-Tudo.

- Eu estou te ligando porque eu estou em Detróit.

- O que?

- É, vou participar de um programa aqui então, queria aproveitar pra te ver. Você pode me mostrar a cidade, o que acha?

- É claro! – me levantei da cama em que eu estava sentada já automaticamente pensando em que roupa eu usaria para me encontrar com ele, como seria, o que eu diria quando estivesse cara a cara com ele.

-Então, me dá seu endereço que estou indo pra aí

- O que? Já? Agora?

- É, por que? Faço mal? Tá ocupada? Desculpa, eu nem perguntei, né? Já vim me candidatando a aparecer por aqui, não perguntei se tinha outros planos.

- Bill, Bill, eu quero te ver também. Anota aí meu endereço e pode vir.

Passei meu endereço pra ele e a gente se encontrou na entrada da minha casa. Minhas mãos suavam e ele era tão mais lindo de perto! Eu tinha me convencido que era tudo imaginação. Ele não podia ser tão perfeito assim!

O problema era que ele era sim…

- Oi.

- Oi – falei sem graça. Eu tinha decidido esperar ele dar o primeiro passo.

- Então é aqui que você mora.

- É sim, quer conhecer minha casa?

- Eu posso?

- É claro, Bill! Entra! Como tá o Scotty? E o Tom?

Ele sorriu

- Só você para perguntar do Scotty antes de perguntar do Tom.

Eu sorri sem graça.

- Estão todos bem, e seu amigo?

- O Vini? Voltou pro Brasil, vou sentir saudades dele.

- Mesmo? – ele olhava cuidadoso pra mim – vocês… eram mais que amigos?

- Não! É claro que não! De onde tirou isso?

- Vocês pareciam tão próximos.

- E somos, mas só como amigos, nada além.

Ele sorriu e falou baixinho.

- Ainda bem.

- O que?

- Nada. Queria conhecer sua família, eles estão em casa?

- Meu pai deve estar chegando, minha mãe está na cozinha. Entra.

- Obrigado.

Meu nervosismo estava a toda, ele estava na minha casa… o que estaria pensando? Será que estava olhando e achando tudo muito simples? Ele estava acostumado com o luxo. Além disso, o que ele queria conhecendo minha família? O que meus pais fariam? O Bill tinha uma aparência diferente dos garotos esquisitos do Brasil, será que pensariam que ele era gay só por ser mais sensível?

As dúvidas voavam na minha cabeça, mas tudo ocorreu tudo bem. Meu pai chegou logo depois de eu ter apresentado o Bill para minha mãe e os dois o receberam super bem. Meu pai até agradeceu ele por ter cuidado de mim, que eu tinha melhorado depois daqueles dias.

Eu tinha contado tudo pros meus pais, menos do beijo, é claro!

- Não precisa agradecer, que isso! Foi maravilhoso ter a Carol lá e eu vim aqui porque.. bem, acho certo perguntar pra vocês primeiro. Mas vou entender se disserem não, afinal nem me conhecem, mas eu queria… pedir sua filha em namoro.

- O que? – meu queixo caiu. Só podia ter caído igual a daqueles desenhos animados. Meus pais se olharam e meu pai me falou.

- Isso quem tem que responder é a Carol, ela que decide isso. Ela é nossa filha e a amamos então, pra gente o que ela decidir está bom. E nós gostamos de você por ter feito tão bem a ela. E então, Carol, já sabe o que dizer pro menino?

Eu olhava assombrada pra ele. Minha mãe me empurrou pra varanda pra que eu e ele tivéssemos alguma privacidade.

- Eu te assustei, né? Não precisa aceitar, podemos ser só amigos é que bem.. Carol, eu não sou um cara de ficar com as meninas por aí. Quando eu te beijei… foi pra valer. Eu assustei porque não tinha planejado nada, mas eu realmente gosto muito de você e queria que fosse minha namorada.

- Sim, Bill, eu quero ser sua namorada! – eu explodia de alegria e me joguei nos braços dele o beijando, ele me afastou um pouco.

- Espera… é que, bem, tem que ser escondido – ele completou rápido – é só por um tempo. Depois a gente assume, mas vou vir te ver o máximo possível e sempre estaremos juntos.

Aquilo teve um gosto amargo na minha boca. Está certo que o que importava era estarmos juntos, mas namorar escondido parecia que eu era uma pessoa errada pra ele. Mas eu estava apaixonada, e se essa era a condição para eu ficar com ele, eu aceitaria.

Nós passamos um final de semana maravilhoso e na segunda, minhas aulas retornaram. Foi difícil me adaptar a tudo e eu conversava com o Bill todos os dias dividindo tudo com ele. Era maravilhoso ter alguém para partilhar a minha vida.

Os dias foram passando, eu comecei a fazer amigos. Estar na escola já não era ruim e eu e o Bill só nos falávamos ao telefone. Depois daquele fim de semana, só nos vimos uma única vez, depois disso ele estava sempre ocupado demais. Além disso, nossos telefonemas já não eram diários. Eu sentia que estava acabando. Ficava péssima por isso, até perdi a conta de quantas vezes eu chorei depois de falar com ele e ser tudo tão distante.

Ele aparecia nas entrevistas e falava sempre que estava a procura do verdadeiro amor, aquilo sempre doía. Para piorar, eu via minhas novas amigas e os namorados delas. Elas podiam andar com eles de mãos dadas, beijar em público, assistir a filmes, eu não podia fazer nada daquilo. Comecei a pensar se aquilo realmente valia a pena ou se estava perdendo meu tempo com ele só me magoando mais conforme nosso namoro descia rio abaixo.

Um garoto da escola me chamou pra sair, e eu disse que não, que eu tinha um namorado. Ele estranhou, disse que não sabia já que nunca tinha me visto com ninguém, e aquilo fez com que eu chorasse muito aquela noite. Eu estava muito sozinha. Já era mais de meia noite quando meu telefone tocou.

- Alô.

- Linda, sou eu.

- Ah, oi, amor, tudo bem?

- Sua voz está estranha, está tudo bem?

Eu suspirei, não ia tomar nenhuma decisão precipitada.

- Tá sim, sem problemas, e aí? Como estão as coisas?

- Tá tudo bem, você não adivinha o que aconteceu! A gente foi convidado a fazer um show no Japão! Vai ser um show beneficente pra ajudar o pessoal que sofreu com o tsunami, não é legal?

Eu não conseguia me animar por ele, aquilo significava que íamos ficar sem nos ver mais uma vez.

- Ah, é, maravilhoso. Parabéns. Vocês vão quando?

- Linda… está tudo bem mesmo?

- Já falei, tá tudo tranqüilo, amor.

- Vamos depois de amanhã, mas logo que eu voltar eu vou aí te ver.

- Não vou poder, semana que vem eu estou em semana de provas.

- Ah… ok, então damos um jeito depois, mas vamos nos ver, tá?

- Tá, claro, vamos sim.

Nos despedimos depois de falarmos mais um pouco de futilidades. Ele queria saber da escola e eu nem sabia o que falar pra ele. Me sentia meio idiota falando de pessoas que ele nunca ia conhecer e que nem sabiam quem ele era. O pessoal já devia pensar que meu namorado era imaginário porque eu não falava nada sobre ele, nem o nome dele eu podia falar.

No dia seguinte, fui pra escola e passei mais um dia normal. Passei o dia pensando no que eu ia fazer, no que ia decidir. Qualquer saída sem o Bill doía tanto no meu coração que eu queria morrer. Eu amava ele. Amava de verdade, mas não tinha menor encorajamento da parte dele, ele nunca vinha me ver, nosso namoro era escondido. Ai meu Deus, o que eu deveria fazer?

Quando cheguei da escola, levei um susto, Bill estava me esperando na varanda. Eu ainda olhei para os lados preocupada de alguém ver ele ali, mas quando me aproximei ele me puxou, me abraçou forte e me beijou. E na frente de todo mundo!

Eu me afastei dele assustada.

- Bill! Podem ver a gente!

- Não importa. Eu quero mais é que vejam mesmo.

- Por que isso?

- Carol, eu já conversei com seus pais e agora, preciso falar com você. – eu me preparei pro que seja lá que ele ia me falar. – Antes, preciso te perguntar uma coisa, você me ama? Me ama de verdade?

- Amo, Bill. – eu suspirei, precisava ser honesta – amo muito, mas é muito difícil levar esse namoro dessa forma.

- Foi o que eu imaginei… você estava estranha ontem, você quer terminar comigo?

- Não! Eu não falei isso! É só que… não importa, a gente vai ficar junto, vai dar tudo certo. Esquece o que eu falei, tá?

- Não, não posso esquecer – eu olhei pra ele meio desesperada – eu senti tanto medo de te perder depois de ontem, passei a noite em claro pensando em você, em mim, em nós. E então, eu decidi que precisava tomar uma decisão importante. Eu coloco tudo em suas mãos, o que decidir… eu vou entender.

Ele então se ajoelhou. Meus olhos se arregalaram.

- Carol, você é a mulher da minha vida, você me daria a honra de ser minha mulher?

Mais uma vez eu gaguejei em frente ao Bill.

- Eu quero! Eu quero! – as lágrimas escorriam pelo meus rosto, ele se levantou e me beijou. Ele também chorava.

- Quero que saiba que é um casamento de verdade, quero que todo mundo saiba.

- Mas e as fãs?

- Elas terão que entender.

Bill anunciou sobre nós dois na própria apresentação no Japão. No início, as fãs se irritaram bastante e até ameaça de morte eu recebi. Bill ficou furioso, mas uma semana depois, o álbum foi lançado e era um álbum maravilhoso, duplo, que recebeu excelentes críticas.

O álbum falava sobre nós dois, toda a solidão, dúvida, tristeza do Bill antes de me conhecer, e depois, todo amor, insegurança e medo de me perder que ele tinha sentido. Era impossível não se identificar com as músicas e ele disse que o álbum era dedicado a mim e que uma nova turnê se iniciaria no mês seguinte.

Por mais que as fãs tenham me odiado no início, a maior parte delas começou me aceitar depois de ouvirem o CD e verem como eu tinha feito bem pra ele.

Duas semanas antes da turnê, eu e Bill nos casamos. Foi o dia mais perfeito da minha vida, me vesti de branco, o Bill estava perfeito vestido com um fraque preto e um sorriso lindo no rosto. Meus pais e os dele estavam emocionados. Tom levou a namorada nova, uma brasileira assim como eu, chamada Renata. E quem levou nossas alianças foi o Scotty – que foi quem nos uniu em primeiro lugar.

- E essa é a nossa história, meu amor, foi assim que eu e seu pai ficamos juntos.